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Fisioterapia e pacientes com osteogênese imperfeita: história de uma experiência

Written By Fatima Santos on sexta-feira | 13:35

Fisioterapia e pacientes com osteogênese imperfeita:
 história de uma experiência

Carmem Lia Martins Moreira

A Fisioterapia integrada a uma política pública em saúde: o estudo da funcionalidade de pacientes do Centro de Referência em Osteogênese Imperfeita do Rio de Janeiro – RJ, Brasil.



Introdução: Os indivíduos com osteogênese imperfeita (OI) sofrem de grande fragilidade óssea e osteopenia, que ocasionam inúmeras fraturas, restrição da mobilidade e dor. Objetivo: Expor pacientes com diagnóstico de OI à experiência do tratamento fisioterapêutico levado a cabo em centro de referência em Osteogênese Imperfeita do Rio de Janeiro. Materiais e métodos: Estudo qualitativo, exploratório, baseado em notas de campo relativas à assistência fisioterapêutica a 92 pacientes com diagnóstico clínico de OI, com idade variando entre 30 dias e 37 anos, de ambos os sexos, atendidos entre 2004 e 2008. A análise compreendeu a leitura das anotações enquanto um corpus, considerando todo o registro da experiência de campo tal como ela se desenvolveu, empreendendo-se uma codificação aberta e uma enfocada, seguidas da aplicação de técnicas semióticas. Resultados: O incentivo precoce aos movimentos ativos em ambiente seguro ou mesmo após as fraturas reduziu contraturas articulares e melhorou o tônus muscular; os manuseios fisioterapêuticos empregados facilitaram a integração da percepção do corpo quanto à ação dos movimentos e às respostas aos estímulos táteis, cinestésicos e vestibulares; a promoção do envolvimento familiar, via adoção de soluções práticas adaptadas à realidade de cada paciente, ajudou no afastamento do medo às fraturas e permitiu a construção de uma nova imagem corporal. Conclusão: Para além da técnica, dos componentes clínicos e neurofuncionais, a ação fisioterapêutica deve se assentar num diálogo que permita abranger as múltiplas dimensões dos pacientes e seus familiares, no sentido de engajá-los em um processo de aprendizagem agenciador de potencialidades, competências e habilidades. No Link abaixo tem a tese na integra. 

http://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/6479/2/Tese%20-%20Lia%20Martins%20Moreira.pdf


Apesar da compreensão da maioria dos pais quanto à importância da mobilidade para o desenvolvimento dos filhos, isso se torna um impasse quando há a recusa por parte das crianças de se movimentarem ou se deslocarem no ambiente. Não há como obrigá-los a executar determinadas funções sem que apresentem vontade espontânea. Para que aceitem se movimentar livremente é preciso expô-los a um ambiente que contenha estímulos e fazê-los envolver-se com estes incentivos. Por exemplo, frente às descrições de uma família quanto à dificuldade para restabelecer a marcha do filho após uma fratura, uma vez que ele não queria em hipótese alguma voltar a colocar os pés no chão e retomar sua rotina, solicitamos informações sobre o cotidiano do filho e momentos do dia quando se mostrava mais descontraído. Em uníssono responderam que apenas durante o banho na banheira se soltava um pouco mais, arriscando alguns movimentos para brincar, porém permanecendo sentado. Planejamos, então, o banho diário com a utilização de um balde de plástico grande, resistente, compatível com a altura da criança e com capacidade de água suficiente para cobrir aproximadamente metade do tronco, devendo ser apoiado num tapete antiderrapante para oferecer estabilidade (figura 1). Com a imersão, esse paciente foi beneficiado com os deslocamentos na posição em pé, realizou agachamentos, marcha lateral com segurança dentro do balde e trabalhou a 106 força muscular. Além da boa aceitação pela criança, o uso do dispositivo promoveu maior interação com a família, propiciando descortinar as habilidades e eficiência naturais de se movimentar, tendo o paciente reiniciado livremente a marcha em outros locais, o que culminou na perda do medo de brincar em ambientes diversos, como parquinhos e casas de festas, levando-o a conviver com outras crianças. 


Noutro caso semelhante elaboramos junto aos familiares uma piscina com dimensões maiores para ser utilizada na área externa da casa, como quintal ou garagem. Para tanto adaptou-se tubos para água e conexões com o material policloreto de vinila (PVC), reconhecidamente rígido e resistente, numa estrutura de barras paralelas conectadas e dispostas de maneira segura e unidas à piscina de plástico. A criança começou a executar a marcha lateral e à frente; 107 apoiando-se nas barras, conseguiu mobilidade livre para as atividades e brincadeiras, ao mesmo tempo em que cumpria suas atividades fisioterapêuticas sem medo. Após alguns dias de atividade, a marcha fora da água foi conseguida sem traumas. A água propiciou confiança ao paciente e representou para os pais uma maneira segura para estimular a deambulação da filha (figura 2). Figura 2 – Deambulação na água Ressaltamos que o sucesso dessa experiência nos suscitou a ideia de incentivar a prática da natação para as crianças e adolescentes que manifestavam vontade de praticar algum esporte, mas se deparavam com as barreiras impostas pela maioria deles, como o alto impacto, a colisão de corpos e as possíveis quedas. Contudo, a orientação para tal prática só foi indicada para aqueles com qualidades motoras e também para os carentes de trabalharem a musculatura respiratória, por apresentarem retração da musculatura acessória de inspiração, pectus escavatum ou escoliose. Com a 108 natação, esses pacientes podem utilizar as propriedades da água em todos os seus aspectos, como a ausência da gravidade que permite maior liberdade de movimentação e trabalhar grandes grupos musculares sem impacto algum (12). Acresça-se o benefício relacionado não só às questões físicas e respiratórias apontadas, como à sociabilidade e à melhora da autoestima.


Ressaltamos que o sucesso dessa experiência nos suscitou a ideia de incentivar a prática da natação para as crianças e adolescentes que manifestavam vontade de praticar algum esporte, mas se deparavam com as barreiras impostas pela maioria deles, como o alto impacto, a colisão de corpos e as possíveis quedas. Contudo, a orientação para tal prática só foi indicada para aqueles com qualidades motoras e também para os carentes de trabalharem a musculatura respiratória, por apresentarem retração da musculatura acessória de inspiração, pectus escavatum ou escoliose. Com a 108 natação, esses pacientes podem utilizar as propriedades da água em todos os seus aspectos, como a ausência da gravidade que permite maior liberdade de movimentação e trabalhar grandes grupos musculares sem impacto algum (12). Acresça-se o benefício relacionado não só às questões físicas e respiratórias apontadas, como à sociabilidade e à melhora da autoestima. 
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