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NOVOS CONCEITOS ATUALIZAÇÃO - 09/2009

Written By Fatima Santos on segunda-feira, 21 de outubro de 2019 | 12:44

ATUALIZAÇÃO:
“Osteogêneses imperfeita”: novos conceitos*


MARCELO CAMARGO DE ASSIS1, HORÁCIO PLOTKIN2, FRANCIS H. GLORIEUX3, CLAUDIO SANTILI4






TRATAMENTO

 Por muito tempo, o tratamento da OI limitou-se às medidas conservadoras, com mínima atividade física e eventuais correções cirúrgicas das deformidades. A cirurgia nesses pacientes era complicada pela fragilidade intrínseca dos ossos.

Numerosos tratamentos médicos foram testados para essa população de pacientes: vitamina C, vitamina D, flúor, magnésio, esteróides anabolizantes, calcitonina, hormônio de crescimento e transplante de medula óssea. Nenhum desses tratamentos mostrou ser útil ou, pelo menos, eficaz na OI. Rev Bras Ortop _ Vol. 37, Nº 8 – Agosto, 2002 325 “OSTEOGENESIS IMPERFECTA”: NOVOS CONCEITOS


Ultimamente, no entanto, o uso de bisfosfonatos como tratamento da OI mudou a qualidade de vida desses pacientes e as possibilidades de tratamento cirúrgico das deformidades se estenderam significativamente. Os bisfosfonatos são potentes inibidores da reabsorção óssea. São medicamentos habitualmente utilizados para tratar adultos com perda de massa óssea e pacientes com aumento da fragilidade dos ossos. O mecanismo de ação desse grupo de drogas não é ainda ao todo muito claro, mas sabe-se que atuam estimulando a apoptose – morte celular programada – dos osteoclastos e atrasam a apoptose dos osteoblastos.


Esses efeitos são a consequência da ação dos bisfosfonatos na cadeia de produção do mevalonato. Na análise dos primeiros 30 pacientes maiores de três anos de idade que receberam o tratamento com pamidronato no Shriners Hospital for Children, Montreal, Canadá, a densidade mineral óssea aumentou 41,9 ± 29% por ano e, o que é mais importante, o desvio do valor normal (escore Z) aumentou de –5,3 ± 1,2 a –3,4 ± 1,5. A espessura da cortical dos ossos metacarpais aumentou, assim como a altura dos corpos vertebrais.


Todos os pacientes tratados referiram substancial alívio da dor e aumento da sua capacidade energética. O único efeito colateral observado foi a reação na fase inicial, na primeira vez que os pacientes recebiam a droga. Reação tipo pseudogripal, com febre de duração inferior a 24 horas, foi observada. Diante desses alentadores resultados, crianças com menos de três anos de idade também passaram a ser tratadas. Neste grupo etário, os resultados foram ainda mais estimulantes que nas crianças maiores. Nove crianças com osteogêneses imperfeita grave receberam tratamento durante 12 meses e os resultados foram comparados com outro grupo de seis crianças de idade e gravidade semelhantes, mas que não receberam tratamento medicamentoso.


 No grupo tratado, a densidade mineral óssea aumentou entre 65% e 227%, com expressivo incremento do escore Z, enquanto no grupo controle não foram observadas alterações significativas quanto ao escore Z. A superfície projetada das vértebras (que reflete as fraturas vertebrais) aumentou significativamente após o tratamento e não variou no grupo controle. A redução do número de fraturas antes e depois do tratamento pode não ser bom indicador da eficácia, pois é sabido que nos pacientes com OI ele decresce com a idade, na maioria dos casos. No entanto, o número de fraturas foi significativamente menor no grupo submetido ao tratamento do que no grupo controle. O tratamento não interferiu na reparação das fraturas. Em todos os pacientes menores do que três anos que foram tratados notamos aceleração do crescimento.


 A causa desse efeito não é clara ainda. É provável que o tratamento reduza o número de microfraturas no nível das cartilagens de crescimento. A recuperação da altura das vértebras também contribui para esse efeito. O desaparecimento das dores ósseas e a diminuição do número de fraturas contribuíram para que os pacientes tivessem maior mobilidade e melhor qualidade de vida. Sabese que esse aumento da atividade física é fator essencial para o desenvolvimento esquelético e, provavelmente, tem ação sinérgica com o tratamento medicamentoso. Na atualidade existem mais de 200 pacientes portadores de OI em tratamento no Shriners Hospital for Children.


O tratamento clínico também se administra em numerosos outros países, incluindo o Brasil e outros da América Latina.


PERSPECTIVAS
Novos tratamentos estão sendo investigados na atualidade, abrindo outras portas para ajudar os pacientes com OI. O grupo canadense está coordenando um grande estudo duplo-cego, multicêntrico, para provar a eficácia e segurança do uso do alendronato oral nesses pacientes. Brevemente iniciar-se-á novo estudo multicêntrico usando zoledronato intravenoso. Além disso, diferentes grupos estão trabalhando para encontrar uma terapia gênica para a OI.


O desenho de novas hastes telescopadas abre também novo horizonte para melhorar a qualidade de vida das pessoas com OI. À medida que entendermos melhor as causas da enfermidade, poderemos desenvolver novas estratégias para o seu tratamento. Esta história recém se inicia.


 


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